Prof. Pai Ronie de Ogum Onire Adiokô
Babalorixá no Ilê Orixá Ogum Adioko e Oya Tofã, Licenciado em Matemática pela Uniasselvi (2013), Graduando em Química pela Ulbra, Pós-Graduando em Especialização Matemática para Professores pela Universidade Federal do Rio Grande - FURG

 

Ritual do bori

 

O Bori é um dos primeiros passos de um iniciado ao entrar na religião africana que deve ser realizado no momento certo, de cada Omorixá (filho de santo), pois representa um passo decisivo e de extrema importância na vida espiritual de cada um.

É importante que o iniciando saiba exatamente o compromisso que está assumindo com a religião dos Orixás. Deve ser informado pelo Babalorixá que é um compromisso para toda a sua vida, inclusive após sua morte, daí a importância da família também conhecer um pouco da religião mesmo sendo de outra religião. Respeitar é preciso.

Fora questões filosóficas ou religiosas, é importante que presencie o ritual antes de o fazer, que questione, que pergunte, para outros Omorixás, que indague seu Babalorixá. Pesquise muito, para ter a certeza de sua escolha.

A hora de procurar entender deve ser antes de iniciar um ritual de bori, pois este ritual não deve ser realizado na empolgação, pela pressão de outras pessoas ou por vaidade a fim de dizer que foi iniciado. Ser de religião é mais do que fazer parte de uma roda ou colocar um axé para um Orixá. É aceitar a religião dos Orixás em sua plenitude, estar realmente inserido nela, em todas as etapas de sua vida.

Durante o bori são sacralizados animais de acordo com o Orixá de cabeça e seu ajunto, para isso o Babalorixá responsável pelo processo iniciático deve jogar búzios para confirmar as passagens do iniciando, e em caso de dúvida procurar a ajuda um Babalorixá mais experiente para confirmar.

Nos rituais afro, para algumas pessoas é possível que a sacralização de animais em um primeiro momento choque os presentes (daí a importância de ser  um ritual fechado aos filhos do axé). Neste sentido é importante assistir antes para não ficar na expectativa de como será, deve ter certeza de sua escolha.

Bori significa alimentar a cabeça, desta maneira a sacralização dos animais nos rituais de bori é para dar alimento a cabeça, ao Ori. Somente o axorô e algumas partes vitais (inhelas) são servidas aos Orixás, o restante pode ser servido como alimento a comunidade.

Para  a feitura do Bori é preparado uma vasilha de louça ou vidro, com búzios e uma moeda, que é a sua representação na religião, a sua ligação com seu Ori, juntamente com uma quartinha que deve permanecer cheia de água (omi).

O barro representa o início e nossa ancestralidades, é a fecundidade da terra. A água possibilita o fortalecimento do axé, a multiplicação do axé. A água em contato com a terra a fertilza e faz com que produza frutos.

Antes de realizar bori, o iniciado passa por um banho de mieró (ervas) que serve para se purificar, para que fique pronto para receber a energia dos Orixás, e desta maneira ser iniciado na religião. Além disso no Ilê Orixá é realizada uma limpeza nos filhos de obrigação para que estejam totalmente aptos a serem iniciados.

Durante o bori a alimentação é servida no chão, e deve ser ingerida somente com colher, em frente ao quarto de santo, onde antes de se alimentar deverá bater cabeça ao seu Orixá, em respeito a obrigação que está comendo.

Após o bori o iniciado deve se preservar por 32 dias de hospitais, cemitérios ou ambientes de intensa energia negativa. Não se deve pintar ou cortar os cabelos. E especialmente na primeira semana evitar o sol direto sobre a cabeça. Em caso de necessidade a cabeça deve ser coberta.

Fazer bori é ter a certeza que escolhemos o que queríamos, não por vaidade ou porque conhecemos alguém que gosrtamos que fez, e sim porque acreditamos. Por que temos certeza que nos levará para um caminho de encontro ao sagrado.

 

 

 

 

 

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* Texto escrito por Pai Ronie de Ogum , não autorizada a publicação em outros meios.

Publicado em 19/09/2012 Atualizado em 10/06/2013

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